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Risco de osteonecrose medicamentosa (ONJ) em terapias antiresorptivas: prevenção e papel do dentista

14 de outubro de 2026 Isabela Lucon Ranzani 6 min de leitura

Entenda o que é a osteonecrose medicamentosa (ONJ), como identificar pacientes em uso de bisfosfonatos ou denosumabe, e as medidas odontológicas e de articulação com o oncologista para reduzir riscos.

Risco de osteonecrose medicamentosa (ONJ) em terapias antiresorptivas: prevenção e papel do dentista

A osteonecrose medicamentosa (ONJ) é uma complicação rara, porém relevante, associada ao uso de medicamentos antiresorptivos como bisfosfonatos e denosumabe; este texto aborda como identificar pacientes em uso dessas terapias, estratégias preventivas odontológicas e a importância da coordenação com o oncologista para reduzir o risco.

O que é osteonecrose medicamentosa (ONJ) e fatores de risco

A osteonecrose medicamentosa refere-se à presença de osso exposto ou que não cicatriza na região maxilofacial em pacientes que fizeram uso de antiresorptivos, sem história de radioterapia na área. Os principais fatores que aumentam o risco incluem o tipo e a via de administração do medicamento, a duração do tratamento e procedimentos odontológicos invasivos.

Entre os fatores de risco odontológicos e sistêmicos estão:

  • Procedimentos invasivos na região oral, como extrações dentárias;
  • Uso de bisfosfonatos por via intravenosa e regimes de altas doses, frequentemente empregados em oncologia;
  • Tratamento prolongado com antiresorptivos;
  • Doenças bucais ativas, como periodontite ou infecções endodônticas;
  • Comorbidades e fatores que comprometem a cicatrização, como diabetes, tabagismo e uso prolongado de corticoterapia;
  • Próteses mal ajustadas que provoquem trauma crônico na mucosa.

Como identificar pacientes em uso de bisfosfonatos ou denosumabe

Uma anamnese direcionada é essencial. Pergunte sempre sobre o uso atual ou prévio de medicamentos antiresorptivos, anotando:

  • Nome do medicamento e via de administração (oral ou intravenosa);
  • Indicação (osteoporose, metástase óssea, mieloma, entre outras);
  • Duração do tratamento e data da última dose;
  • Histórico de procedimentos bucais recentes ou planejados.

Os sinais e sintomas que devem aumentar a suspeita clínica incluem presença de osso exposto na cavidade oral, ferida que não cicatriza, dor local, edema, drenagem purulenta, mobilidade dentária inexplicada ou alteração sensorial como parestesia. Diante desses achados, é fundamental documentar e comunicar imediatamente ao oncologista ou à equipe médica responsável.

Estratégias preventivas odontológicas para reduzir o risco de ONJ

A prevenção é a medida mais eficaz para reduzir a ocorrência de ONJ em pacientes que vão iniciar ou já fazem uso de antiresorptivos. O planejamento odontológico deve ser individualizado e integrado ao suporte oncológico.

Avaliação pré-tratamento

Idealmente, pacientes candidatos a terapia antiresorptiva devem receber uma avaliação odontológica pré-tratamento para identificar e tratar infecções, dentes não resturáveis e problemas prostodônticos antes do início da medicação.

Cuidados durante o tratamento

  • Priorizar tratamentos conservadores sempre que possível, como terapia endodôntica em vez de extrações quando viável;
  • Quando uma intervenção invasiva for necessária, planejar técnica atraumática, fechamento primário quando indicado e acompanhamento próximo;
  • Manter rigor com higiene oral, controle de placa e cuidados com próteses para reduzir inflamação crônica;
  • Orientar uso de antissépticos tópicos e medidas de suporte para controle local de infecção quando indicado;
  • Agendar acompanhamento odontológico periódico enquanto durar a exposição ao medicamento.
A melhor estratégia é a prevenção: avaliar e estabilizar a saúde bucal antes e durante as terapias antiresorptivas reduz significativamente o risco de complicações.

Coordenação com o oncologista e decisões sobre suspensão do medicamento

A decisão sobre interromper temporariamente ou não o antiresorptivo, conhecida popularmente como "drug holiday", deve ser tomada em conjunto com o oncologista ou médico responsável pelo tratamento sistêmico. Essa decisão depende de vários fatores clínicos, entre eles o motivo do uso do medicamento, o tipo de antiresorptivo e o risco oncológico do paciente.

Alguns pontos importantes para a comunicação entre dentista e oncologista:

  • Fornecer relatório detalhado da situação bucal, justificando a necessidade e urgência do procedimento odontológico;
  • Discutir riscos e benefícios de qualquer pausa medicamentosa, considerando que bisfosfonatos têm longa meia-vida óssea e a suspensão nem sempre reduz risco rapidamente, enquanto o efeito do denosumabe reverte mais rapidamente após interrupção;
  • Planejar cronograma de procedimentos odontológicos compatível com o esquema terapêutico oncológico, sempre priorizando a segurança do tratamento sistêmico do câncer;
  • Registrar em prontuário médico e odontológico todas as decisões compartilhadas e orientações dadas ao paciente e à família.

Atuação do dentista no contexto hospitalar e cuidados com o paciente

No ambiente hospitalar ou em pacientes com fragilidade clínica, a atuação do dentista deve ser integrada, humanizada e baseada em protocolos de risco. O dentista oncológico tem papel central na triagem, tratamento das condições bucais que aumentam risco de ONJ e no seguimento pós-operatório. Comunicar sinais precoces ao time multiprofissional e oferecer suporte para controle da dor e da infecção faz parte do manejo responsável.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação individualizada. Se você é paciente em uso de bisfosfonatos ou denosumabe, procure avaliação odontológica especializada para um plano de cuidado personalizado e diálogo com sua equipe oncológica.

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